domingo, 9 de agosto de 2009

LUÍS DANTAS

Luís Dantas. Fotografia de Catarina Dantas


Começou muito cedo a publicar prosa e verso nos jornais da sua região. Mais tarde colabora n' «O Século» e «República». Dá início à sua aventura literária com dois livros de poesia: «Pedras Verdes» (1970) e «Bolero-bar» (1974). O primeiro não oculta o encanto pela expressão literária de Eugénio de Andrade e de Rainer Maria Rilke. Carlos Lobo de Oliveira parte da convicção de que Luís Dantas «herdou o património lírico do Lima.» Outros poetas saudaram a sua estreia: A. Garibáldi, Álamo Oliveira, José H. Santos Barros, Alfredo Guisado (poeta do Orpheu) e Pedro Homem de Mello. Em «bolero-bar» rompe definitivamente com as estruturas literárias tradicionais e deixa-se influenciar pela contracultura e pelo incorformismo da geração beat. A mesma boémia em Lisboa. Os bares (Bolero, João Sebastião).As tabernas rascas. A revolta explícita contra a realidade portuguesa da época no «esboço para uma pintura de Max Ernest» : «uma mulher: pássaros cansados/nos olhos do sol que pesa// o corpo de uma bandeira em/farrapos nos ombros da noite». Essa escrita onírica ou delirante. O fascínio pelo jazz.Os últimos espectáculos de cabaré (no Ritz). O poema escrito no dia da morte de Louis Armstrong. As tertúlias. A camaradagem pela noite dentro.Os convívios com José Gomes Ferreira,Manuel da Fonseca,Armindo Rodrigues, Alexandre Cabral, Virgílio Martinho, Luís Pacheco,Ary dos Santos, Adriano Correia de Oliveira,Fernando Assis Pacheco, Acácio Barradas, Daniel Reis, Luís Lello,Manuel Cavaco, Mário Viegas.Bebe cachaça com José Cardoso Pires. Cita na época, quando escreve bolero-bar, Allen Ginsberg: «morrerei apenas pela poesia que há-de salvar o mundo». O escritor João Marcos viu nessa obra «pequenos Toulouse-Lautrecs em poesia.» E viu bem. O poeta e ensaísta Paulo Brito e Abreu (autor de «A Minha Tropa foram os Rolling Stones») retrata-a assim:«é a experiência dionisíaca feita e falada num bar nocturno de Lisboa; os seus amigos dilectos são os aventureiros, os saltimbancos; as Tíades ou Ménades, a nau da meia-noite.As bacanais são para este Poeta um sacramento que liberta o ser amado da contigência e do devir, da morte aprisionada nos infernos; numa infinita compaixão pelas rameiras.» Ou num amor sublime: «não foi o corpo e tu/bem sabes, rapariga//deitei-me apenas ao/lado dos teus olhos.» Desde então, muda de rumo. Outros livros foram escritos e publicados: Ponte de Lima na Revolução de 1383, Ceres Editora, Ponte de Lima,1993, A Água nas Primeiras Civilizações, Edições Ceres, Lisboa, 1999, O Vinho nas Primeiras Civilizações, Edições Ceres, Lisboa, 1999, Viagens e Descobertas, Atlântida, Lisboa, 1999, A Revolta da Maria da Fonte, Edições Ceres, Lisboa, 2000, Bocage No Seu Tempo, Edições Ceres, Lisboa, 2001 e Os Garranos da Península Ibérica, Edições Ceres, Lisboa, 2002.




Ulisses Duarte

Nenhum comentário:

Postar um comentário