terça-feira, 11 de agosto de 2009

esboço para uma pintura de Max Ernest

Max Ernest


uma mulher
pássaros cansados nos olhos
do sol que pesa

o corpo de uma bandeira
em farrapos
nos ombros da noite


in Bolero-Bar, Edição de Autor, Lisboa, 1974

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

BOLERO-BAR

Louis Armstrong
POEMA PARA LOUIS ARMSTRONG

contigo agora no bolero-bar ou em Manhattan é o mesmo:
há pássaros recolhidos dentro de nós caídos das árvores
com folhas muito velhas de alegria e jazz

a morte de Armstrong estremeceu em todas as orquestras
e aqui ficamos de mãos bruscamente amarradas

as prostitutas esta noite inclinaram-se no fundo da
alma e recusam-se desvendadas pelas próprias lágrimas

entretanto as trompetas nas caves de Nova Orleães
endoideceram e ouve-se perfeitamente contra os
nossos rostos Just a Closer Walk

in Bolero-Bar,Edição de Autor, Lisboa, 1974

domingo, 9 de agosto de 2009

LUÍS DANTAS

Luís Dantas. Fotografia de Catarina Dantas


Começou muito cedo a publicar prosa e verso nos jornais da sua região. Mais tarde colabora n' «O Século» e «República». Dá início à sua aventura literária com dois livros de poesia: «Pedras Verdes» (1970) e «Bolero-bar» (1974). O primeiro não oculta o encanto pela expressão literária de Eugénio de Andrade e de Rainer Maria Rilke. Carlos Lobo de Oliveira parte da convicção de que Luís Dantas «herdou o património lírico do Lima.» Outros poetas saudaram a sua estreia: A. Garibáldi, Álamo Oliveira, José H. Santos Barros, Alfredo Guisado (poeta do Orpheu) e Pedro Homem de Mello. Em «bolero-bar» rompe definitivamente com as estruturas literárias tradicionais e deixa-se influenciar pela contracultura e pelo incorformismo da geração beat. A mesma boémia em Lisboa. Os bares (Bolero, João Sebastião).As tabernas rascas. A revolta explícita contra a realidade portuguesa da época no «esboço para uma pintura de Max Ernest» : «uma mulher: pássaros cansados/nos olhos do sol que pesa// o corpo de uma bandeira em/farrapos nos ombros da noite». Essa escrita onírica ou delirante. O fascínio pelo jazz.Os últimos espectáculos de cabaré (no Ritz). O poema escrito no dia da morte de Louis Armstrong. As tertúlias. A camaradagem pela noite dentro.Os convívios com José Gomes Ferreira,Manuel da Fonseca,Armindo Rodrigues, Alexandre Cabral, Virgílio Martinho, Luís Pacheco,Ary dos Santos, Adriano Correia de Oliveira,Fernando Assis Pacheco, Acácio Barradas, Daniel Reis, Luís Lello,Manuel Cavaco, Mário Viegas.Bebe cachaça com José Cardoso Pires. Cita na época, quando escreve bolero-bar, Allen Ginsberg: «morrerei apenas pela poesia que há-de salvar o mundo». O escritor João Marcos viu nessa obra «pequenos Toulouse-Lautrecs em poesia.» E viu bem. O poeta e ensaísta Paulo Brito e Abreu (autor de «A Minha Tropa foram os Rolling Stones») retrata-a assim:«é a experiência dionisíaca feita e falada num bar nocturno de Lisboa; os seus amigos dilectos são os aventureiros, os saltimbancos; as Tíades ou Ménades, a nau da meia-noite.As bacanais são para este Poeta um sacramento que liberta o ser amado da contigência e do devir, da morte aprisionada nos infernos; numa infinita compaixão pelas rameiras.» Ou num amor sublime: «não foi o corpo e tu/bem sabes, rapariga//deitei-me apenas ao/lado dos teus olhos.» Desde então, muda de rumo. Outros livros foram escritos e publicados: Ponte de Lima na Revolução de 1383, Ceres Editora, Ponte de Lima,1993, A Água nas Primeiras Civilizações, Edições Ceres, Lisboa, 1999, O Vinho nas Primeiras Civilizações, Edições Ceres, Lisboa, 1999, Viagens e Descobertas, Atlântida, Lisboa, 1999, A Revolta da Maria da Fonte, Edições Ceres, Lisboa, 2000, Bocage No Seu Tempo, Edições Ceres, Lisboa, 2001 e Os Garranos da Península Ibérica, Edições Ceres, Lisboa, 2002.




Ulisses Duarte

PEDRAS VERDES (1970)

Pedras Verdes, Edição de Autor, 1970.
Prefácio: A. Garibáldi
Capa e ilustrações: Álamo Oliveira



"... herdou o património lírico do Lima."

Dr. Carlos Lobo de Oliveira

"... poesia com um âmbito social marcado e marcante e de percepção simples, como costuma ser toda a vida de um povo."

Fátima Rodrigues, Jornal A União

"... as palavras funcionam libertadas por si próprias, impregnadas de sensibilidade refinada, de uma riqueza verbal e emotiva."

José H. Santos Barros, Jornal A União

"... ao cantar o amor, o fado ou a mulher ou ainda simplesmente a alma dos nortenhos, fá-lo com a limpidez da água que corre por entre o acidentado dos fraguedos, pura e livre..."

Jornal A Terra Minhota

"Poesia de sensibilidade penetrante..."

V.M., Jornal A União

"Trata-se de quem é realmente poeta."

Dr. Alfredo Guisado, Jornal A República

"Chamo-lhe Querido e chamo-lhe Poeta."

Pedro Homem de Mello